#JulioMartinsBr: "Muito se fala em violência em varias esferas mas as comunidades LGBTQIAPN+ geralmente ficam invisíveis nestes dados, estas comunidades geralmente são independentes sem apoios de sites, instituições publicas que dão poucas evidencias dos fatos."
O Brasil é o país que mais assassina pessoas trans e travestis no mundo há 16 anos consecutivos, de acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).
A violência contra essa população é alarmante e multifacetada, indo além dos casos fatais.
Quem pesquisa o tema, também não se espanta com os elevados índices do Brasil e do Ceará.
Na verdade, faz um diagnóstico ainda mais assustador. “Nós vivemos um processo de extermínio da população trans e travesti que tem o ódio como elemento central.
Esses assassinatos são crimes de ódio. E a gente percebe isso pelo grau de violência empregado neles.
É alarmante como sempre são cometidos com requintes de crueldade”, alerta a travesti e antropóloga Dediane Souza.
Ela reforça o argumento da defensora pública sobre ser necessário investir em mais políticas e projetos intersetoriais.
Ou seja: não tratar a questão “apenas” como uma questão de segurança, mas também como educacional, de saúde, segurança, econômica etc.
Do contrário, os números não vão recuar, visto que desde 2019 a homotransfobia foi equiparada ao racismo, com diversas penas previstas em lei, e nem isso forçou a redução dos casos (que em 2020 bateram recorde).
Dediane acredita que, embora elevadas, as estatísticas estão subnotificadas.
“Os casos que estão no dossiê da Antra são só a ponta do iceberg, porque são identificados somente aqueles que a imprensa reconhece o nome da vítima.
E a gente tem um histórico de a imprensa negar essas identidades. Mas o primeiro passo foi dado, que é reconhecer a transfobia como natureza da violência.
A gente precisa de um investimento visível na política de empregabilidade, por exemplo; em ações que perpassem diversas áreas”, frisa.
CULTURA DO MACHISMO
À frente do Grupo de Resistência Asa Branca (Grab), a mais antiga organização LGBTQIAPN+ do Ceará, Dáry Bezerra atesta a tese de subnotificação dos casos.
Segundo ela, a vivência dos movimentos indica cenário pior, especialmente pelo fato de o estado há dois anos ter uma delegacia especializada para investigar esse tipo de crime (a Decrin, com sede em Fortaleza) e, ainda assim, os autores pouco são identificados e as ocorrências não diminuem.
“As políticas aparentam não estar funcionando.
Tem quem ache que a simples criação de uma delegacia especializada ou de uma Secretaria da Diversidade vai resolver tudo.
Mas não vai. Ainda há um despreparo do sistema de segurança para entender o que é a LGBTfobia.
E é muito fácil achar justificativa para tentar negar a transfobia.
Mas o modus operandi é o mesmo. Existe um ódio atravessado na morte de uma pessoa trans que a difere da morte de uma pessoa que não é trans.
Não é só um tiro; são vários.
Não é só uma facada; são várias. A travesti é amarrada, é decapitada, é carbonizada…
Há todo um contexto de crueldade”, afirma a presidenta do Grab.
Dáry atribui os assassinatos de pessoas trans e travestis à cultura do machismo, ainda muito forte no comportamento dos homens cearenses.
“Pessoas trans e travestis não são percebidas como humanas. São objetos de uso sexual e descartáveis. E querem que a gente continue nesse lugar do fetiche e da subserviência sexual. Então, tanto faz existir ou não, matar ou não.
Esse contexto precisa ser percebido pelas instâncias de segurança e educação, para saberem onde é preciso agir e gerar essa mudança de pensamento”, finaliza.
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