Do Renascimento da Praça do Bairro São Francisco ao Esquecimento da Praça dos Orixás do Bairro Cidade de Deus.
A Praça Mucio Reis, conhecida por todos como a Praça do Bairro São Francisco, é hoje um exemplo de como o investimento público bem aplicado pode transformar um espaço.
Com um investimento de mais de R$ 1,1 milhão, a praça renasceu.
Ganhou uma nova aparência, coreto, parquinho moderno para crianças, mesas com tabuleiros de dama e bancos.
O resultado é visível: o bairro se valorizou, a movimentação na praça aumentou com eventos, prática de esportes nas quadras e ginásticas laborais em alguns espaço com os populares.
O dinheiro público, ali, foi convertido em qualidade de vida.
Enquanto isso, a Praça dos Orixás, no bairro Cidade de Deus, segue esquecida pelo poder público.
É um cenário de abandono que chega a ser contraditório: a cidade tem um horto municipal que distribui mudas gratuitamente, mas na praça não se vê uma única árvore para dar sombra e conforto.
O único monumento é aquele de identificação, cercado por grama e terra sem os cuidados necessários. Faltam itens básicos: parquinho, quadra, equipamentos de ginástica, bancos, lixeiras e mesas.
Diante desse contraste tão forte, a pergunta que não quer calar é: por que tanta diferença?
Será apenas uma questão de planejamento ou preconceito pelo nome da praça se de matriz africana?
É difícil acreditar.
O Bairro Cidade de Deus tem um número expressivo de eleitores, e a praça está próxima da região mais carente onde a falta de áreas de lazer para os populares da região.
A existência do horto municipal em Sete Lagoas prova que o problema não é a falta de mudas, mas sim a falta de prioridade.
Isso nos leva a um ponto sensível:
O nome da praça será a causa do abandono?
O nome "Praça dos Orixás" é uma homenagem à nossa cultura e religiões de matriz africana.
Será que esse símbolo forte acaba tornando o local invisível para os nossos gestores? É uma possibilidade que não podemos ignorar, mesmo que nunca seja admitida.
O abandono da Praça dos Orixás não é apenas uma falta de infraestrutura; é a perda de uma oportunidade histórica.
Com a devida atenção do poder público, a praça poderia ser muito mais que um terreno vazio.
Poderia receber investimento para beneficiar toda a comunidade, com esculturas que celebrassem os Orixás, um paisagismo temático e se tornar, no futuro, um forte ponto turístico e de cultura, valorizando a identidade do nosso povo.
Enquanto isso não acontece, o que vemos são duas realidades:
Uma que mostra o poder transformador do investimento público, e outra que revela o descaso e a desigualdade que ainda marcam a nossa cidade.
A comunidade do Bairro Cidade de Deus em Sete Lagoas merece mais do que um monumento com nome em uma praça esquecida.
Merece um espaço de convivência, cultura e dignidade.
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